Por Bruno Canato
Quem tem seus vinte e poucos anos pode se lembrar de quando a Editora Abril trouxe Spawn e Savage Dragon e a Editora Globo tentou um ingresso no mercado brasileiro de comics trazendo os rebentos de Jim Lee e Marc Silvestri e pensar, sinceramente, se a Image Comics, fruto da união de ex-desenhistas famosos na Marvel Comics, poderia trazer algo além daqueles super-heróis extrapolados de uma cultura de comics deteroriada dos anos 90. Estávamos enganados, claro. Não só hoje em dia temos publicações ótimas como Invencível e Mortos-Vivos, ambos de Robert Kirkman e trazidos para o Brasil pela HQ Maniacs, como ano passado fomos agraciados com Comic Book Tattoo, uma graphic novel complexa baseada nas músicas de Tori Amos.

Tori Amos é uma cantora norte-americana de dado sucesso. Gente com uma memória mais longa pode se lembrar de Crucify na trilha sonora da novela De Corpo a Alma, aficcionados por séries podem ter uma lembrança de um deboche sobre ela na série Love Monkey. Uma coisa é fato - desde o Little Earthquakes, no começo da década de 90, a amiguinha pessoal do escritor Neil Gaiman e ex-paixão platônica de um dos tecladistas da banda de heavy metal progressivo Dream Theater, Tori tem produzido consistentemente canções intimistas, com um vocal delicado, muito piano e letras de músicas muito subjetivas. E muito antes de Alanis Morissette falar de seu caso com Dave Coulier (o elo perdido entre Full House e You Oughta Know jaz neste nome, crianças) ou Fiona Apple fazer uma canção sobre seu estupro, Tori já havia cantado sua Me and a Gun sobre seu encontro sexual indesejado. Bem mais sofrido.
Comic Book Tattoo é um projeto ambicioso em quadrinhos. Tenta transcrever - em momentos literalmente, em outros não - em 480 páginas, em dimensões que ultrapassam 40 cm x 40 cm, as histórias que a cantora canadense imprimiu sobre "suas garotas" ao longo de sua carreira, do álbum inicial Y Kant Tori Read até o fantástico American Doll Posse. O resultado é um deleite visual - diferentes estilos de desenho e narrativa em quadrinhos encontram-se em histórias curtas, com diversas técnicas, numa peça que poderia ser bem tida como um coffee table book para suas visitas. Deixando de lado, claro, os ciúmes que um fã da Tori pode ter de seu exemplar.
As histórias são variadas. Existem momentos reais que poderiam ser tidos entre dois amigos enquanto conversam com a vida, como em God e Baker Baker. Temos contrapontos sobrenaturais ou fantásticos como em Girl, Bouncing Off Clouds, Caught A Little Sneeze e Programmable Soda. A obra também consegue alcançar notas inspiradoras e silenciosas como em Jackie's Strength e Snow Cherries From France, delírios cotidianos bem representados em I Can't See New York e Leather, chegando até o inesperado e o bizarro em Mr. Zebra. Por fim, vale citar a participação mais do que especial de Leif Jones em Little Amsterdam.



Comic Book Tattoo não é exatamente história em quadrinhos para os menos versados. E talvez não seja também quadrinhos para quem não seja fã de Tori Amos. O que mais surpreende é justamente essa tentativa de trazer o universo da música para as páginas de arte seqüencial, em um formato não comercial - e tentar captar o que cada artista tentou passar das garotas de Tori Amos. Quem acompanha a produção de Tori certamente encontra um deleite a cada nova página.
E para quem estranha o nome da obra, ela é de um trecho de uma música da Tori Amos, chamada Flying Dutchman. Se quiser conferir, é só dar play abaixo.
Apenas lembrando - tem pouco tempo que foi lançado o mais recente álbum da cantora, Abnormally Attracted to Sin. Pessoalmente, não agradou tanto quanto o anterior. Mas se ele fizer jus aos boatos de turnê que incluiriam o Brasil, torna-se mais do que bem-vindo.
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Quem tem seus vinte e poucos anos pode se lembrar de quando a Editora Abril trouxe Spawn e Savage Dragon e a Editora Globo tentou um ingresso no mercado brasileiro de comics trazendo os rebentos de Jim Lee e Marc Silvestri e pensar, sinceramente, se a Image Comics, fruto da união de ex-desenhistas famosos na Marvel Comics, poderia trazer algo além daqueles super-heróis extrapolados de uma cultura de comics deteroriada dos anos 90. Estávamos enganados, claro. Não só hoje em dia temos publicações ótimas como Invencível e Mortos-Vivos, ambos de Robert Kirkman e trazidos para o Brasil pela HQ Maniacs, como ano passado fomos agraciados com Comic Book Tattoo, uma graphic novel complexa baseada nas músicas de Tori Amos.

Tori Amos é uma cantora norte-americana de dado sucesso. Gente com uma memória mais longa pode se lembrar de Crucify na trilha sonora da novela De Corpo a Alma, aficcionados por séries podem ter uma lembrança de um deboche sobre ela na série Love Monkey. Uma coisa é fato - desde o Little Earthquakes, no começo da década de 90, a amiguinha pessoal do escritor Neil Gaiman e ex-paixão platônica de um dos tecladistas da banda de heavy metal progressivo Dream Theater, Tori tem produzido consistentemente canções intimistas, com um vocal delicado, muito piano e letras de músicas muito subjetivas. E muito antes de Alanis Morissette falar de seu caso com Dave Coulier (o elo perdido entre Full House e You Oughta Know jaz neste nome, crianças) ou Fiona Apple fazer uma canção sobre seu estupro, Tori já havia cantado sua Me and a Gun sobre seu encontro sexual indesejado. Bem mais sofrido.
Comic Book Tattoo é um projeto ambicioso em quadrinhos. Tenta transcrever - em momentos literalmente, em outros não - em 480 páginas, em dimensões que ultrapassam 40 cm x 40 cm, as histórias que a cantora canadense imprimiu sobre "suas garotas" ao longo de sua carreira, do álbum inicial Y Kant Tori Read até o fantástico American Doll Posse. O resultado é um deleite visual - diferentes estilos de desenho e narrativa em quadrinhos encontram-se em histórias curtas, com diversas técnicas, numa peça que poderia ser bem tida como um coffee table book para suas visitas. Deixando de lado, claro, os ciúmes que um fã da Tori pode ter de seu exemplar.
As histórias são variadas. Existem momentos reais que poderiam ser tidos entre dois amigos enquanto conversam com a vida, como em God e Baker Baker. Temos contrapontos sobrenaturais ou fantásticos como em Girl, Bouncing Off Clouds, Caught A Little Sneeze e Programmable Soda. A obra também consegue alcançar notas inspiradoras e silenciosas como em Jackie's Strength e Snow Cherries From France, delírios cotidianos bem representados em I Can't See New York e Leather, chegando até o inesperado e o bizarro em Mr. Zebra. Por fim, vale citar a participação mais do que especial de Leif Jones em Little Amsterdam.



Comic Book Tattoo não é exatamente história em quadrinhos para os menos versados. E talvez não seja também quadrinhos para quem não seja fã de Tori Amos. O que mais surpreende é justamente essa tentativa de trazer o universo da música para as páginas de arte seqüencial, em um formato não comercial - e tentar captar o que cada artista tentou passar das garotas de Tori Amos. Quem acompanha a produção de Tori certamente encontra um deleite a cada nova página.
E para quem estranha o nome da obra, ela é de um trecho de uma música da Tori Amos, chamada Flying Dutchman. Se quiser conferir, é só dar play abaixo.
Apenas lembrando - tem pouco tempo que foi lançado o mais recente álbum da cantora, Abnormally Attracted to Sin. Pessoalmente, não agradou tanto quanto o anterior. Mas se ele fizer jus aos boatos de turnê que incluiriam o Brasil, torna-se mais do que bem-vindo.
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2 comentários:
Muito bom o post, só que a Tori é estadunidense mesmo.
Quero muito esse livro!!
Tem na licraria cultura, mas vc não sabe se tem em algum outro lugar aqui no Brasil??
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