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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Nerdisses: Tour de colecionáveis‏

Por Bruno Canato

Um breve tour de colecionáveis por São Paulo

Até 1993, era muito complicado encontrar colecionáveis de qualidade no Brasil. As pessoas precisavam esperar alguém ir ao exterior descobrir novidades por pura exploração, ou contentar-se com versões de linha reduzidas ou de menor qualidade como as oferecidas pela Estrela e pela Glasslite. A abertura para importações do governo Collor e o advento do plano Real na primeira metade da década de 90, entretanto, possibilitaram uma mudança de cenário.

A partir desse momento, algumas lojas passaram a entrar no negócio de importação - inicialmente, notavelmente a Brinquedos Laura e a finada Mario Bros. Hoje, entretanto, há uma paisagem muito mais rica e variada de lugares em que se pode comprar seus sonhos de consumo. Confira uma lista pequena de pontos de interesse para colecionadores em São Paulo.

Cardsmania
A Cardsmania são uma infiltração do mundo colecionável em shoppings. São duas boas lojas que trazem brinquedos, toy art, cards, estátuas e videogames - com uma cartela bem variada, e preço já não tão acessível.

Shopping Iguatemi
Loja 2C10 - Piso Faria Lima
Av. Brig. Faria Lima, 2232
Fone:(11) 3814-0402
Shopping Morumbi
Loja 118S - Piso Superior
Av. Roque Petroni Junior, 1089
Fone: (11) 5181-8384


Coleciona
Descendo a Augusta em sentido Jardins, uma loja com uma vitrine particular, cheia de brinquedos, destoa da paisagem. Antigamente vizinha de uma Ri Happy, a Coleciona talvez seja uma das melhores lojas de São Paulo para brinquedos. O andar térreo traz lançamentos em território nacional, além de brinquedos voltados para crianças mais jovens. O verdadeiro tesouro, entretanto, aparece quando se desce para o subsolo - pôsteres, importados e raridades enchem as prateleiras, e a variação de preços de acordo com o item mostram claramente que a Coleciona é realmente um negócio sério.

Rua Augusta, 2299
Fone: (11) 3081-4977 / 3062-2226

Comix
A Comix durante muito tempo foi uma banca singela na Al. Lorena, que vendia HQs importadas, cards colecionáveis e de vez em quando camisetas e brinquedos. Por volta de 1996, abriu uma segunda loja, na Al. Jaú, que foi muitas vezes reformada e que hoje se coloca como único ponto da empresa. Além de vender DVDs, brinquedos, HQs atuais e edições mais antigas, a Comix traduz trade paperbacks - como o elogiadíssimo Y! the Last Man - e organiza, semestralmente, a Fest Comix, um dos maiores saldões de quadrinhos do país.

Al Jaú, 1998

Fonomag
Quando a Animax do Zé Roberto e do Sérgio Peixoto era leitura mensal obrigatória para otakus, muito se citava a Livraria Fonomag. A simpática loja se localiza na R. da Glória e, passando a porta, já se é recebido por um mecânico "irashaimase" (bem-vindo, em japonês). A livraria traz simplesmente todo tipo de publicação japonesa - sem faltar revistas sobre sumô, gothic lolitas ou até mesmo versões nipônicas de Caras - mas a Fonomag sempre teve uma clientela boa por trazer para cá mangás e artbooks de séries e jogos de videogames. Ainda hoje, pode-se ir lá e encomendar itens que eles não tenham em estoque, além de se poder comprar números de mangás da Conrad e JBC que perdeu nas bancas.

Rua da Glória, 242 - Liberdade
Fones: (11) 3104-3329 / 3399


Shinozaki
No começo da década, a Shinozaki era uma das bancas na praça da Liberdade, com o diferencial de vender algumas miniaturas - já na época, coisas de Pokémon - e alguns mangás (na cara da Livraria Sol, ironicamente). Aproveitando o verdadeiro boom da popularidade do anime e do mangá trazido na década de 90, entre Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon e fansubbers via internet, a Shinozaki cresceu, alugou lojas e hoje é uma grande importadora e também ponto oficial da Liga Pokémon de card game.

Sogo Plaza Shopping
Loja 231
R. Galvão Bueno, 40 - 2ºandar
Fone: (11) 3341-7756


Limited Edition
A recente concorrência da Coleciona, a Limited Edition surgiu tem pouco tempo. Virou notícia pela infame cabeça do Predador em tamanho real que abriga, e é quase o oposto da Coleciona em sua aparência - muito mais sóbria, séria e contida. Ligeiramente mais voltada a estatuetas, a Limited Edition aparece como outra opção para os fanáticos de plantão.

Rua da Consolação, 2753

Terramedia
Na década de 90, a Devir se consolidava como importadora de quadrinhos, tradutora de RPGs - especialmente Vampiro: a Máscara - e responsável pelo fenômeno Magic: the Gathering em terras tupiniquins. No começo desta década, ela já estava no atual espaço na Teodureto Souto, e, depois de um ano, mudava o nome da loja de Devir para Terramedia, fazendo uma homenagem à obra de Tolkien (importantíssima para os RPGistas, por ser a principal inspiração de Dungeons & Dragons). Hoje, vende todo tipo de Trading Card Games, RPGs, quadrinhos - sem falar nos ocasionais saldões noturnos em que ela põe o estoque em liquidação.

Rua Teodureto Souto, 642
Fone: (11) 2127- 8752


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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Nerdisses: Comic Book Tattoo - quando a música encontra os quadrinhos

Por Bruno Canato

Quem tem seus vinte e poucos anos pode se lembrar de quando a Editora Abril trouxe Spawn e Savage Dragon e a Editora Globo tentou um ingresso no mercado brasileiro de comics trazendo os rebentos de Jim Lee e Marc Silvestri e pensar, sinceramente, se a Image Comics, fruto da união de ex-desenhistas famosos na Marvel Comics, poderia trazer algo além daqueles super-heróis extrapolados de uma cultura de comics deteroriada dos anos 90. Estávamos enganados, claro. Não só hoje em dia temos publicações ótimas como Invencível e Mortos-Vivos, ambos de Robert Kirkman e trazidos para o Brasil pela HQ Maniacs, como ano passado fomos agraciados com Comic Book Tattoo, uma graphic novel complexa baseada nas músicas de Tori Amos.


Tori Amos é uma cantora norte-americana de dado sucesso. Gente com uma memória mais longa pode se lembrar de Crucify na trilha sonora da novela De Corpo a Alma, aficcionados por séries podem ter uma lembrança de um deboche sobre ela na série Love Monkey. Uma coisa é fato - desde o Little Earthquakes, no começo da década de 90, a amiguinha pessoal do escritor Neil Gaiman e ex-paixão platônica de um dos tecladistas da banda de heavy metal progressivo Dream Theater, Tori tem produzido consistentemente canções intimistas, com um vocal delicado, muito piano e letras de músicas muito subjetivas. E muito antes de Alanis Morissette falar de seu caso com Dave Coulier (o elo perdido entre Full House e You Oughta Know jaz neste nome, crianças) ou Fiona Apple fazer uma canção sobre seu estupro, Tori já havia cantado sua Me and a Gun sobre seu encontro sexual indesejado. Bem mais sofrido.

Comic Book Tattoo é um projeto ambicioso em quadrinhos. Tenta transcrever - em momentos literalmente, em outros não - em 480 páginas, em dimensões que ultrapassam 40 cm x 40 cm, as histórias que a cantora canadense imprimiu sobre "suas garotas" ao longo de sua carreira, do álbum inicial Y Kant Tori Read até o fantástico American Doll Posse. O resultado é um deleite visual - diferentes estilos de desenho e narrativa em quadrinhos encontram-se em histórias curtas, com diversas técnicas, numa peça que poderia ser bem tida como um coffee table book para suas visitas. Deixando de lado, claro, os ciúmes que um fã da Tori pode ter de seu exemplar.

As histórias são variadas. Existem momentos reais que poderiam ser tidos entre dois amigos enquanto conversam com a vida, como em God e Baker Baker. Temos contrapontos sobrenaturais ou fantásticos como em Girl, Bouncing Off Clouds, Caught A Little Sneeze e Programmable Soda. A obra também consegue alcançar notas inspiradoras e silenciosas como em Jackie's Strength e Snow Cherries From France, delírios cotidianos bem representados em I Can't See New York e Leather, chegando até o inesperado e o bizarro em Mr. Zebra. Por fim, vale citar a participação mais do que especial de Leif Jones em Little Amsterdam.


Comic Book Tattoo não é exatamente história em quadrinhos para os menos versados. E talvez não seja também quadrinhos para quem não seja fã de Tori Amos. O que mais surpreende é justamente essa tentativa de trazer o universo da música para as páginas de arte seqüencial, em um formato não comercial - e tentar captar o que cada artista tentou passar das garotas de Tori Amos. Quem acompanha a produção de Tori certamente encontra um deleite a cada nova página.

E para quem estranha o nome da obra, ela é de um trecho de uma música da Tori Amos, chamada Flying Dutchman. Se quiser conferir, é só dar play abaixo.





Apenas lembrando - tem pouco tempo que foi lançado o mais recente álbum da cantora, Abnormally Attracted to Sin. Pessoalmente, não agradou tanto quanto o anterior. Mas se ele fizer jus aos boatos de turnê que incluiriam o Brasil, torna-se mais do que bem-vindo.

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